Cotação: ★★ Regular
ESSE
SONHO DEVIA SER MAIS LEGAL
Douglas Quaid (interpretado por Colin
Farrell) sonha em ter uma vida melhor. Queria fazer algo importante. Ele é um
operário trabalhando na Terra, no futuro. Apesar de ser casado com uma mulher
linda, Lori (Kate Beckinsale) e viver num lugar mais legal que o nosso mundo,
ainda assim ele se sente insatisfeito. Mas existe uma empresa, a Rekall, que
implanta memórias na mente de seus clientes, tão reais quanto a realidade.
Quaid então contrata a Rekall para se passar por agente secreto e ter em sua mente as
lembranças de uma grande aventura.
Doug Quaid (Colin Farrell) quer ter as lembranças de uma aventura
Mas algo dá errado no procedimento e ele
logo começa a ser perseguido. Envolvido num conflito entre duas facções que representam
os únicos lugares ainda habitáveis da Terra, ele se descobre o salvador da
Resistência. Sua esposa não é uma esposa, mas sim uma agente colocada para
vigiá-lo. E a única que pode ajudá-lo é a misteriosa Melina (Jessica Biel). A
perseguição vai fazer com que Quaid viva a aventura pela qual pagou... Ou tudo
não passa de um sonho? E se Quaid nunca saiu da mesa da Rekall, e está vivenciando
tudo isso apenas em sua imaginação, exatamente o serviço pelo qual contratou a
firma em primeiro lugar?
Ele logo se vê dentro de uma verdadeira perseguição
Sua esposa Lori (Kate Beckinsale) se torna sua inimiga mortal
Melina (Jessica Biel) é agente da resistência, a única que pode ajudá-lo
Este “O Vingador do Futuro” é a refilmagem
do longa homônimo de 1990, estrelado por Arnold Schwarzenegger e dirigido por
Paul Verhoeven. Curiosamente, o filme de Verhoeven tornou-se o tipo de produção
que, hoje em dia, faz falta em Hollywood. Claro, nada de ilusões: era um blockbuster, e atraía o público com a
promessa de ver Schwarzenegger em ação matando muita gente. Mas também possuía
duas qualidades incontestáveis. Em primeiro lugar, contava uma história genuinamente
interessante, explorando a ambuiguidade entre o real e a fantasia, bem como o
dilema de um homem. Quaid (e por consequência, todos nós), somos fruto apenas
de nossas lembranças e nosso passado? Ou somos definidos, sobretudo, pelo que
fazemos? Durante a história, o personagem descobria coisas terríveis do seu
passado, mas ainda assim tomava a decisão de fazer a coisa certa.
E a outra grande qualidade do filme era a
de possuir uma visão artística forte e inconfundível no comando. Verhoeven era
politicamente incorreto e maluco, e transmitia essa energia maluca para seus
filmes. “O Vingador do Futuro” original era um filme onde se podia rir de uma
cena de violência ultrajante, que possuía um clima até mesmo sórdido, e onde
não se estranhava ver uma prostituta de três seios. Era um filme insano, único
e sem medo de ofender, como as superproduções de hoje já não são mais. A
prostituta de três seios até aparece nessa refilmagem, mas sua aparição é
gratuita e não faz sentido (não há mutantes nem viagem à Marte nesta versão). E
isso sintetiza o que há de errado com esta nova versão.
O diretor Len Wiseman, criador da série “Anjos
da Noite” (Underworld, 2002) estrelada por Kate Beckinsale (sua esposa), e
também responsável pelo divertido “Duro de Matar 4.0” (Live Free or Die Hard,
2007), ama esse tipo de filme. Mas enquanto Verhoeven criava, Wiseman apenas
reverencia e reconta. Seu “O Vingador do Futuro” não tem personalidade e é
genérico, poderia ter sido feito por qualquer um. Não há, neste filme, um
espírito capaz de conceber a prostituta de três seios.
Apesar de todo o trabalho do elenco, o filme
nunca engrena. Farrell é esforçado e adequado como Quaid, mas as atrizes são
limitadas. Kate só faz pose de má (e o roteiro não oferece justificativa para a
sua raiva pelo personagem de Farrell), e Jessica parece querer seguir os passos
da sua colega de cena e só participar de produções fracas. Sua personagem,
Melina, nem registra na memória do público e é absolutamente rasa. O vilão,
feito pelo ator Bryan Cranston da série “Breaking Bad”, também é desperdiçado e
aparece muito pouco para causar impressão.
Beckinsale: Linda, mas só faz pose de má
Bryan Cranston como o vilão Cohaagen: ator disperdiçado
O filme só se destaca um pouco nos seus
aspectos técnicos. Os efeitos visuais e trabalho sonoro são perfeitos, mas a
direção de arte (do especialista neste tipo de filme, Patrick Tatopoulos) é diretamente
chupada de outros filmes. O visual da “Colônia” é puro “Blade Runner: O Caçador
de Androides” (Blade Runner, 1982), até às influências orientais. Os carros
levitando magneticamente vieram de “Minority Report: A Nova Lei” (Minority
Report, 2002) – curiosamente, ambos são baseados em contos do escritor Phillip
K. Dick, o mesmo autor da história que inspirou “O Vingador do Futuro”. O
conceito da “sociedade verticalizada” é interessante, e rende ao menos um bom
momento: a cena em que Quaid usa a ausência de gravidade para metralhar os
soldados inimigos.
Perseguição de carros futuristas
A história segue basicamente os mesmos
passos do original, mas sem nenhum traço de empolgação. E a
ambiguidade entre sonho e realidade, chave para tornar a história mais rica, não interessa tanto ao diretor, que prefere terminar seu filme igual
a dezenas de outros blockbusters.
Quaid viveu mesmo essa aventura, ou é apenas uma memória implantada e ele em
breve irá acordar, de volta à sua vidinha entediante? O diretor e os
roteiristas não se importam com ambiguidade, preferem se concentrar na ação
desenfreada. Eles com certeza viram o filme original, e talvez tenham lido a
história de Phillip K. Dick, mas pode-se dizer que não os compreenderam.
O novo “O Vingador do Futuro” é um filme
sério demais, com a história diluída e sem nada para diferenciá-lo do blockbuster padrão de Hollywood. Sinceramente,
um filme repleto de robôs, carros voadores e coisas futuristas deveria ser mais
legal.











Bah, não botei fé no remake desde o começo. Não me atrevi em assistir no cinema, justamente porque havia lido em algum outro lugar que faltaria a viagem à Marte.
ResponderExcluirCuriosamente outro clássico do diretor Paul Verhoeven está sendo refilmado: Robocop.
ResponderExcluir"Verhoeven era politicamente incorreto e maluco, e transmitia essa energia maluca para seus filmes."
Esta frase define Paul Verhoeven em Robocop de 1987.
A cena da prostituta de três seios é totalmente sem noção.
ResponderExcluirOs androides policiais são à prova de balas, até a esposa de Douglas Quaid os usa como escudo numa cena num corredor (sexta foto). Mas na cena de reinserção da memória antiga de Quaid, ele se solta, e mata todos baleados, até mesmo um androide ?!
É um bom filme de ação, com ficção científica falha. Se houve uma guerra quimica mundial e os únicos locais habitáveis por humanos, e presumo animais e plantas são Inglaterra e Australia. Como é que esse povo vive ? Comida sintética ? E o oxigênio do ar em um mundo sem florestas e possivelmente os oceanos mortos, vem de onde ? Dos prédios favela high tech que realizam a fotossíntese ?! Nada disso é explicado no filme.